Centenas de pessoas seguindo um caixão, ali dentro, um homem trabalhador e digno da presença daquela multidão. Romildo de Jesus, o Lé pedreiro, foi levado até a necrópole acompanhado de parentes, amigos, clientes e fornecedores, todos que testemunharam uma vida cheia de lutas e avanços profissionais.
Naquele mesmo momento, do outro lado da cidade, Antônio Sena de Oliveira, 42 anos, por trás das grades, pego num exame de alcoolemia após matar o Lé, à espera de uma decisão judicial para seu caso.
Desde o momento da morte até o dia de hoje e creio que por muitos dias à frente ainda, o questionamento que não sai da cabeça de quem matou e de todos que conviviam com o mestre de obras é "Haverá justiça ou esse será apenas mais um caso que entrará para as estatísticas?" Seja em conversas de grupo ou em sites de relacionamentos, diversos são os relatos e os pedidos de punição.
Conhecido por ajudar o próximo e defender com unhas e dentes a região onde passou grande parte de sua vida, Barrocão e Cafelândia, Lé tinha muitos amigos que foram conquistados com sua calma e credibilidade. Responsável por colocar na profissão diversos pedreiros renomados de Jacobina, Romildo morre deixando esposa e dois filhos e um grande número de pais de família com suas carreiras encaminhadas.
Em sua página no Facebook o empresário do ramo da construção e amigo de Lé, Joaquim Valois escreveu o seguinte texto:
UMA PERDA IRREPARÁVEL
A comunidade de Jacobina está de luto, triste e indignada com a perda prematura de Romildo Jesus (Lé), ocorrida pela irracionalidade de um ser humano que através do uso irresponsável de um veículo atropela e mata um cidadão exemplar, seja como pai, esposo, amigo e profissional da construção civil.
E agora estamos sem o nosso Lé? A cada novo amanhecer seus filhos estarão sem os conselhos e orientações de um pai dedicado e amoroso, sua esposa sem a palavra amiga e carinhosa para o resto da sua vida, seus colegas de atividade sem a bússola que dava rumo a um trabalho eficaz e de excelente qualidade, seus amigos sem a alegria do seu bom humor, sem o companheirismo e a solidariedade do grande amigo que ele sempre foi. E o delinquente? Que pena ser-lhe-á aplicada? Não tenho dúvidas que a qualquer momento, através do pagamento de uma fiança qualquer, este inconsequente, responsável por esta grande dor, estará livre e propenso a voltar ocasionar novas tragédias.
Até quando seremos reféns de uma legislação injusta, branda e defasada? Triste Brasil! Conclamo a todos, para que façamos uma reflexão sobre esta violência desenfreada, impune e brutal que ocorre a cada dia em nosso trânsito, ceifando vidas e trazendo uma imensurável dor pela perda de inocentes seres humanos. A realidade que nos apresenta é bastante cruel, simplesmente a ausência e a saudade do nosso inesquecível Lé. Fica-nos uma certeza, que as marcas da bondade, da alegria, da solidariedade, da sua competência, jamais serão esquecidas por aqueles que tiveram o privilégio da sua convivência. Lé, descanse em paz sob a bênçãos de Deus. (Joaquim Valois Coutinho Neto - Abril de 2015.)
Por sua vez, o coordenador de tráfego e transportes Wagne Melkart deixou em sua página um texto onde pede conscientização da comunidade, veja:
Campanha de conscientização para um trânsito mais humano.
Gostaria de chamar sua atenção para que com a mesma paixão, razão ou falta dela, quando nos expomos para defender a política, o esporte, ou cantores, a gente também passasse a defender um trânsito mais seguro, humano, onde menos pessoas fossem machucadas ou perdessem suas vidas, como se joga papel no chão. Para que isso acontecesse seria necessário que todos saíssem da zona de conforto.
Obedeçam a sinalização, usem o cinto de segurança (as vezes acho que se fosse proibido usar cinto de segurança todo mundo ia usar), não excedam a velocidade da via, andem devagar, pois a velocidade que empolga e a mesma que mata e pelo amor de Deus, se forem beber não dirijam. O trânsito mais seguro que queremos no futuro dependerá das ações que tomaremos hoje. (Wagne Melkart, diretor do SMTT Jacobina)
Tá aí, só nos basta esperar o desfecho dessa história, para sabermos se esse será um caso que terá uma punição digna do ato praticado ou será, como muitos outros dessa cidade que hoje encontramos na porta de bares bebendo e comemorando suas liberdades enquanto famílias choram a falta de entes queridos.
Igor Fagner - Rota 324, notícias 100% jacobinenses.